História da
Fazenda Cacutá
Arquitetura do Casarão
O casarão da Fazenda Cacutá é um dos mais representativos exemplares da arquitetura rural do período colonial paulista. Sua construção se destaca tanto pela estética quanto pelas técnicas construtivas tradicionais utilizadas na época.
Com cerca de 28 cômodos distribuídos entre pavimento térreo e superior, o imóvel reúne uma combinação de materiais característicos do século XIX, como pau-a-pique, taipa de pilão, tijolos cerâmicos maciços, pedra e madeira. As esquadrias em madeira e vidro, presentes em diferentes designs e formatos, reforçam o cuidado estético e artesanal da construção.
O casarão é um verdadeiro símbolo do ciclo do café em Valinhos e na região, representando um período marcante da formação econômica e cultural do interior paulista.
Atualmente, o solar encontra-se em estado crítico de conservação. Parte da cobertura colapsou, e a ausência de proteção após o desabamento gerou danos estruturais significativos, principalmente nas paredes construídas em pau-a-pique e taipa de pilão. Por questões de segurança, o interior não pode mais ser acessado, impossibilitando a verificação completa dos danos e prováveis descaracterizações internas.
Tombamento pelo CONDEPHAAT
A antiga sede da Fazenda Cacutá é tombada pelo CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo.
O tombamento foi oficializado pela Resolução nº 56, de 09/12/2004, referente ao processo 38716/99, e o bem foi inscrito no Livro do Tombo Histórico sob nº 349, página 93, em 22/09/2005.
O reconhecimento destaca o valor histórico, arquitetônico e artístico do imóvel, considerando-o um importante testemunho da formação, ocupação e desenvolvimento do Município de Valinhos. A sede representa também um marco do ciclo do café no interior paulista, integrando o conjunto de bens que registram o avanço da cafeicultura rumo ao Oeste Paulista.
O tombamento inclui a área envoltória correspondente a toda a propriedade onde hoje funciona o Clube de Campo Vale Verde.
Isso significa que qualquer intervenção – seja reforma, nova construção, demolição, incorporação ou adequação – deve ser previamente analisada e aprovada pelo CONDEPHAAT.
Essa medida assegura que o imóvel e seu entorno sejam preservados de forma integral, garantindo a manutenção de suas características históricas e culturais.
Além de abrigar a antiga sede da Fazenda Cacutá, o Clube de Campo Vale Verde preserva um projeto paisagístico elaborado na década de 1970 pelo artista plástico e paisagista brasileiro Roberto Burle Marx. (CONDEPHAAT, 1999, p. 209)
Burle Marx é considerado um dos maiores nomes do paisagismo mundial e foi responsável por transformar a forma de pensar e criar jardins no Brasil e no exterior. Seu trabalho integra arte, botânica, cores, texturas e espécies nativas, criando composições marcantes e únicas.
Entre suas obras mais reconhecidas estão o Parque Ibirapuera (SP), o Parque do Flamengo (RJ) e os Jardins do Palácio do Itamaraty (Brasília).
Burle Marx também foi o responsável pela famosa paginação do calçadão de Copacabana, considerada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural como “o maior exemplo de obra de arte aplicada existente no mundo”.
A presença de um jardim projetado por Burle Marx no Vale Verde reforça ainda mais o valor artístico e cultural do local, ampliando a relevância patrimonial da área.
