História da

Fazenda Cacutá

A Fazenda, também conhecida como Fazenda São Bento do Cacutá, faz parte da história e formação do município de Valinhos. Sua existência remonta por volta de 1850, então sob propriedade de Joaquim Egydio de Souza Aranha. (CONDEPHAAT, 1999)

O imponente casarão-sede foi construído entre 1860 e 1865, ainda durante a gestão de Joaquim Egydio. Seu vizinho na época, Von Zuben, que administrava a fazenda, provavelmente conduziu a construção do solar — erguido com o trabalho de pessoas escravizadas, e que viria a receber diversas personalidades importantes da província. (CONDEPHAAT, 1999)

O interior do casarão refletia o estilo da elite cafeeira do século XIX: móveis franceses e decoração sofisticada, típicos das famílias abastadas ligadas ao café. (PEREIRA, 2006)

Os descendentes de Joaquim Egydio viveram na Fazenda até 1960. Após a crise do café de 1929, a produção cafeeira deixou de ser o foco, dando lugar à criação de gado leiteiro. Ainda assim, a família manteve o cuidado e a preservação do casarão ao longo desses anos. (CONDEPHAAT, 1999)

Em 1981, a área da Fazenda foi loteada, dando origem a chácaras. O casarão — antigo solar — foi doado por Elza de Salles França Ferraz ao Clube de Campo Vale Verde, com a proposta de que o espaço fosse utilizado pelos seus associados. (CONDEPHAAT, 1999)

Arquitetura do Casarão

O casarão da Fazenda Cacutá é um dos mais representativos exemplares da arquitetura rural do período colonial paulista. Sua construção se destaca tanto pela estética quanto pelas técnicas construtivas tradicionais utilizadas na época.

Com cerca de 28 cômodos distribuídos entre pavimento térreo e superior, o imóvel reúne uma combinação de materiais característicos do século XIX, como pau-a-pique, taipa de pilão, tijolos cerâmicos maciços, pedra e madeira. As esquadrias em madeira e vidro, presentes em diferentes designs e formatos, reforçam o cuidado estético e artesanal da construção.

O casarão é um verdadeiro símbolo do ciclo do café em Valinhos e na região, representando um período marcante da formação econômica e cultural do interior paulista.

Atualmente, o solar encontra-se em estado crítico de conservação. Parte da cobertura colapsou, e a ausência de proteção após o desabamento gerou danos estruturais significativos, principalmente nas paredes construídas em pau-a-pique e taipa de pilão. Por questões de segurança, o interior não pode mais ser acessado, impossibilitando a verificação completa dos danos e prováveis descaracterizações internas.

Tombamento pelo CONDEPHAAT

A antiga sede da Fazenda Cacutá é tombada pelo CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo.

O tombamento foi oficializado pela Resolução nº 56, de 09/12/2004, referente ao processo 38716/99, e o bem foi inscrito no Livro do Tombo Histórico sob nº 349, página 93, em 22/09/2005.

O reconhecimento destaca o valor histórico, arquitetônico e artístico do imóvel, considerando-o um importante testemunho da formação, ocupação e desenvolvimento do Município de Valinhos. A sede representa também um marco do ciclo do café no interior paulista, integrando o conjunto de bens que registram o avanço da cafeicultura rumo ao Oeste Paulista.

Área Envoltória e Regras de Proteção

O tombamento inclui a área envoltória correspondente a toda a propriedade onde hoje funciona o Clube de Campo Vale Verde.
Isso significa que qualquer intervenção – seja reforma, nova construção, demolição, incorporação ou adequação – deve ser previamente analisada e aprovada pelo CONDEPHAAT.

Essa medida assegura que o imóvel e seu entorno sejam preservados de forma integral, garantindo a manutenção de suas características históricas e culturais.

Jardim por
Roberto Burle Marx

Além de abrigar a antiga sede da Fazenda Cacutá, o Clube de Campo Vale Verde preserva um projeto paisagístico elaborado na década de 1970 pelo artista plástico e paisagista brasileiro Roberto Burle Marx. (CONDEPHAAT, 1999, p. 209)

Burle Marx é considerado um dos maiores nomes do paisagismo mundial e foi responsável por transformar a forma de pensar e criar jardins no Brasil e no exterior. Seu trabalho integra arte, botânica, cores, texturas e espécies nativas, criando composições marcantes e únicas.

Entre suas obras mais reconhecidas estão o Parque Ibirapuera (SP), o Parque do Flamengo (RJ) e os Jardins do Palácio do Itamaraty (Brasília).
Burle Marx também foi o responsável pela famosa paginação do calçadão de Copacabana, considerada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural como “o maior exemplo de obra de arte aplicada existente no mundo”.

A presença de um jardim projetado por Burle Marx no Vale Verde reforça ainda mais o valor artístico e cultural do local, ampliando a relevância patrimonial da área.